Após a NSU, várias marcas empreenderam uma corrida rumo ao rotativo cuja vencedora foi a Mazda. Muitos protótipos com motor do tipo Wankel foram apresentados, mas pouca coisa foi à rua, com destaque à própria Mazda, mas também com menção honrosa à Citroën e… à AvtoVAZ, mais conhecida por essas bandas como Lada.
Os designs da Fiat dos anos 60, cada vez mais raros em nossas ruas, foram as cascas que a marca russa usou para pôr à prova suas unidades rotativas. Como de praxe nos fabricantes da Cortina de Ferro, foi um desenvolvimento demorado e marcado por interrupções. Desde 1974 o fabricante possuía uma divisão especial de desenvolvimento de motores, que já vinha produzindo unidades rotativas experimentais.
O primeiro Lada com pistões triangulares seria o 21108, uma versão do Zhiguli, aqui conhecido por Laika. Esse veículo usava o motor conhecido por 311, uma unidade com um rotor de 80 mm de largura, 102 mm de excentricidade e 15 mm de deslocamento em relação ao eixo central. Tudo isso permitia 654 cm³ de deslocamento total, cilindrada coincidente com a dos deslocamentos do motor 13B da Mazda. A taxa de compressão, de 9,5:1, era alta para o padrão de gasolina soviética (93 octanas RON).
250 unidades do 21108 seriam produzidas em 1980. Entre os destaques do propulsor, as duas velas do rotor e, pensando nas frias temperaturas daquele país, um sistema de injeção de líquido anticongelante. Ainda assim, o manual recomendava que só se tentasse dar a partida no máximo duas vezes seguidas usando o sistema. Sua potência era de 70 cv a 6.000 rpm e seu torque de 95 Nm era plano entre 3.500 e 4.000 rpm. A alimentação era por carburador e havia uma unidade eletrônica que analisava a posição do pedal do acelerador, a velocidade e onde estava o rotor, coordenando esses dados com o sistema de ignição eletrônica.
Com isso, aquele Lada tinha bom desempenho para qualquer parâmetro daquela época no mundo, atingindo 170 km/h e acelerando de 0 a 100 km/h em 13 segundos. Porém, não era uma pilotagem agradável, devido ao pouco freio-motor e à necessidade de se atingir rotações altas para que o melhor rendimento viesse.
As ligas metálicas soviéticas não eram adequadas o suficiente para que um Wankel funcionasse bem, e o 311 abria o bico com 20 mil quilômetros rodados. Alguns relatos dão conta de unidades abrindo o bico com 10 mil quilômetros rodados. Muitos desses 21108 acabaram voltando a usar as unidades de quatro cilindros de outros Zhigulis.
Os experimentos foram suficientes para que a marca começasse a aproveitar a modularidade inerente dos rotativos, com o birrotor 411 surgindo no mesmo ano e equipando o 21059. Com seus 1.308 cm³, desenvolvia 120 cv a 6.000 rpm e torque de 160 Nm também entre 3.500 e 4.000 rpm. A unidade era montada no 21059, outra versão do Laika, que ia até 180 km/h e reduzia o tempo do 0 a 100 km/h para 10 segundos. Em 1982, o 21079 vinha com transmissão de cinco marchas e melhorava a aceleração até os 100 km/h para 9 segundos.
Outras melhorias foram feitas na unidade e o 413-2, com vida útil de 125 mil quilômetros e taxa de compressão baixada para 9,4:1, mantinha os mesmos dois rotores e fazia o 21059 (um Laika) chegar a 185 km/h e atingir os 100 km/h em 9 segundos, graças a seus 140 cv a 6.000 rpm e 186 Nm (18,9 kgfm) na mesma faixa dos Wankels anteriores.
A evolução dessa unidade seria o 415, que carburado desenvolveria os mesmos valores do 413-2, mas catapultando o 2108-91 (montado sob a carroceria do Samara) para 200 km/h e apenas 8 segundos para chegar aos 100 km/h. Versões injetadas dessa unidade iriam para 180 a 240 cv, essa última com o benefício de melhores coletores e outras melhorias técnicas. O 2108-91 era mais pensado para competições.
O 2109-91, mais um Samara e datado de 1987, seria usado pela polícia comum soviética (GAI) e pela temida KGB. O público comum só teria acesso a eles a partir de 1997, em quantidades limitadas, média de cem unidades anuais. Outros Samaras rotativos seriam o 21099-91 e o 2115-91 (versão sedã).
O 415 ainda veria espaço em cofre maior e mais moderno, levando o modelo 2110 (do qual deriva o Priora atual), em uma versão de competição, a 210 km/h, com 0 a 100 km/h em 8 segundos.
O 411 também equiparia uma versão do GAZ 3102, mais conhecido por Volga, ainda que este também tivesse uma versão para uso da KGB com a unidade 431, com três rotores. Dessa, pouco se sabem os dados, fora desenvolver 210 cv. O birrotor russo de uso aeronáutico foi designado 4305. Outro trirrotor de uso aeronáutico, o 426 chegou a equipar helicópteros. Derivado do 426, mas com um rotor a menos, era o 416. Fora isso, houve um barco, também chamado Volga, equipado com essas unidades, mas do qual pouco se sabe a respeito.



















Uma pena os motores rotativos não terem "pegado" no mercado!
Imagina um Brasil cheio de Ladas rotativos ao invés de Uno Emo 1.0 *-*
as preparações seriam maiores que as no AP , ja que os rotativos tem fama de serem fortemente exigidos para competições de drift , não daria boa coisa com certeza
quando se tem dinheiro, mas para APzeiro, geralmente dinheiro tá em falta
Pense em Parati Turbo, Gol 16 válvulas e Marea Fivetec…
Não sabia que a LADA desenvolveu projetos wankel… mais uma pra série: " Coisas que agente só fica sabendo aqui." ahuahuaahua
É o tipo de motor que deveria ter sido mais explorado pelos fabricantes. Com um pouco mais de investimento de grandes empresas, os problemas de consumo e emissões poderiam ser superados.
A Mazda estava tão perto de superá-los…
Mas a grande vantagem desse motor é a leveza, e os carros estão cada vez mais pesados, logo perdeu-se a vantagem de se ter um motor tão diferente.
Creio que a maior vantagem desse motor é a maior potência gerada com um deslocamento pequeno. Mas os vazamentos de óleo eram comuns, e as regras de emissões cada vez mais rígidas na Europa mataram o último Wankel (RX-8).
Sim, o motor Wankel era mais leve justamente por ser menor. Por exemplo, um motor Wankel 1.3 produz tanta potência quanto um motor quatro tempos 3.0, mas era tão ou menos pesado que um motor 1.3.
O que mais me espantou foi saber que a Lada fez carros de corrida.
P.S.: Tenho só 15 anos.
Até hoje no WTCC tem Lada.
Um belo lada por sinal
<img src=http://static4.origos.hu/i/1112/20111227-lada-granta-cup-wtcc3.jpg>
Lada? Que Lada?
Também não vi Lada nenhum.
E eu acho o Granta um dos carros mais bonitos da atualidade. Simples e harmonico.
Basicamente um Logan bonito…
Por falar em carros de corrida do Leste Europeu, bem que o Jalopnik poderia fazer uma matéria sobre Heinz Melkus, um preparador de carros da Alemanha Oriental. Se tivesse nascido na Alemanha Ocidental e tido as chances de estudar e trabalhar que teve no outro lado do muro, teria sido um grande projetista venerado por todos nós…
Putz, esses dados aí são bem impressionantes…quer dizer, 0 a 100 em pouco mais de 10 segundos e diminuindo mais ainda, 240 cavalos…Isso me impressiona mais ainda por ser na União Soviética, com os materiais que tinham à mão e ainda por cima com uma tecnologia que até hoje gera discussão, apesar do bom desenvolvimento existente D:
Tinha a versão movida a Vodka também?
O radiador era abastecido com vodka, em lugar da água. Sério mesmo, a água podia congelar, e anticongelante era difícil de se obter, então o radiador era preparado para trabalhar com vodka sem reclamar.
Existe alguma coisa que a Lada não tenha feito?
Ainda não devem ter posto as mãos em motor AP. E sinceramente…se fizerem isso é bem provável que a coisa fique feia. AEOUAOEUHOUEHUOAEHUOAHEUOAHUEOHAUOEHUOAHEAUO
Eu não sei de onde dão tanto prestígio aos motores AP. Eu só tive decepções com ele , poi s trabalha em alta temperatura. Eu era FISSURADO pelo Corvette Wankel Alemão(LINDO) . O Mazda (Wankel) também é muito bom!!! o unico problema é manutenção , pois tem mecanico que nem acredita que este "motorzinho"
funcione…
Um carro bonito?
Beleza é coisa de capitalista, mas o 2101 e o 2103 não são feios
<img src="http://motoburg.com/images/lada-2101-05.jpg"width=550>
<img src="http://bestsellingcarsblog.com/wp-content/uploads/2011/03/lada-2103-ussr-1972b.jpg"width=550>
Mas são Fiats, certo?
O 2101 tem o mesmo design do Fiat 124, mas o 2103 foi reestilizado na Russia
Eu acho o Granta bonito.
<img src=http://4.bp.blogspot.com/-gekagiboDTw/Tc6f00jYRVI/AAAAAAAABjs/gZ5xUk6P4vs/s1600/granta-01.jpg>
Eu também, ele mostra que um sedan de baixo custo não precisa ser quadrado (ou derretido), que da para ser barato e bonito
Eu curto lada (Laika e Niva), é verdade muita gente acha feio para k@*l#o, mas eu já tive a oportunidade de dirigir um lada laika 2105 com motor 1.6, pow o bixinho tem um bom torque em subidas lembrando o meu corcel 1.
(lembrando antes que alguém fale alguma coisa, eu dirigi um da hora de lataria e o mais importante o motor também estava zero bala).
Para mim é um carro legal de dirigir, pena que não deu muito certo aqui no Brasil.
Lada + Wankel? Inacreditável…Esses russos…
Mais uma história bastante interessante, essa aí eu nem imaginava.
O problema dos soviéticos é que eles entraram tarde demais na "corrida". A Ford, GM, Peugeot, Fiat, etc… já produziam em larga escala antes da Revolução de Outubro. Enquanto isso, havia apenas uma ou duas dúzias de automóveis na Rússia daquele tempo, quase todos propriedade da família imperial.
Os soviéticos começaram a produzir automóveis militares em 1929, e já começaram a incrementá-los. Já em 1938, eles inventaram a tração 4×4 (sim, a tração integral é uma invenção soviética), e eles a colocariam no Jeep. Não fosse pela GAZ, o Jeep teria tração traseira apenas e não seria tão efetivo na II Guerra.
Depois da II Guerra, os soviéticos criaram um carro full-size e um carro popular: o GAZ Pobeda e o ZAZ Zaporozhets. O Pobeda era muito parecido com os carros americanos do pós-guerra, ou seja, estava muito acima do que os europeus da época podiam pagar. O Zaporozhets era refrigerado a ar e era muito parecido com o Fiat 500 daquela época.
Com o país arrasado e a população empobrecida pela guerra, a URSS tinha mais o que fazer do que melhorar seus carros. Porém, carros para a classe superior foram criados: a limousine ZIL (capaz de resistir a tudo), o GAZ Chaika e o GAZ Volga. Mas faltava um carro popular, e em 1968 a Fiat vendeu o projeto e o ferramental para produzir um carro popular em sintonia com o mundo lá fora: o Fiat 124 (Lada Laika).
Desde então, o desenvolvimento automotivo soviético focou muito mais no corte de custos de produção do que no desenvolvimento de novas tecnologias e novos modelos. Mas foram criados o Lada Niva, o Lada Samara, o Lada 110, o ZIL 41017 e novas gerações para o Chaika e o Volga.
Caraca um motor durar 10.000 km? Imagina se aquele dono do Volvo recordista de odômetro tivesse um Lada com motor rotativo? Teria trocado de motor 5 mil vezes!
Na minha burra e humilde opinião, acredito em interesses muito maiores para que os motores rotativos "não fossem aperfeiçoados" e afinados para ficarem menos poluentes, pois esse seria o principal motivo de sua não homologação… o que dizer então dos motores Diesel, que hoje são "limpos", extremamente duráveis e potentes(vide Audi em Le Mans)… isso prova que com investimento e vontade a coisa acontece!
O motor rotativo ta crescendo com tempo so vendo pra acreditar…
http://www.youtube.com/watch?v=Og2G4FkuL0w&fe…
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