Terminada a primeira metade do Mundial de Rally Cross-Country (que pode ser vista aqui e aqui), o Troller liderava a categoria T3.2 com boa folga. A etapa seguinte seria em Portugal, facilitando a logística da equipe, uma vez que a oficina principal ficava em Rio Maior. O evento seria realizado entre os dias 21 e 25 de junho de 2001, com a largada às 4h30 da manhã do dia 23, partindo do parque do Estoril, com o primeiro setor da prova partindo às 7 horas, da vila de Mora, no Alto Alentejo. As provas europeias despertavam uma certa tranquilidade devido à maior presença de civilização. “São as provas, não digo mais fáceis, mas mais habitáveis”, conta o navegador Alberto Fadigatti.

Para todos os pilotos, os principais obstáculos daqueles 620 quilômetros de estradas de terra nas regiões de Ribatejo e Alto Alentejo seriam a alta quantidade de poeira levantada e a sinuosidade do trajeto. A Baja Telecel 1000 Vodafone não era estranha aos portugueses e foi isso que aconteceu, com a categoria disputada pelos brasileiros sendo vencida por gente da casa, com Filipe Campos e Pedro Figueiredo a bordo de um Land Cruiser levando a taça e o quinto lugar no geral. A coisa não seria diferente nas categorias mais rápidas. Jutta Kleinschmidt e Andreas Schulz, em que pese terem ganho na T2 a bordo do Pajero da Ralliart, ficariam em segundo lugar no geral, perdendo para a L200 de Carlos Sousa e Vítor Jesus, que completaria a prova em 8 horas, 35 minutos e 10 segundos.
O Troller pilotado por Reinaldo Varela não terminaria aquela etapa, por conta de problemas técnicos, como uma barra quebrada no eixo dianteiro. Porém, na T3.2, que representava 33 dos 174 carros inscritos, a situação de pontos ficaria inalterada, pois as duplas mais competitivas também não pontuariam na terra de Luís de Camões e Fernando Pessoa.


O conforto gerado pelo quadro pós-Portugal gerou a ideia de desistir da etapa seguinte, na Espanha, para disputar o Sertões daquele ano, a ser realizado entre 8 de 20 de julho, enquanto o Baja España Aragón seria realizado entre os dias 12 e 15 daquele mês. Porém, a ideia de disputar o rali brasileiro foi logo posta de lado, uma vez que a corrida na Europa tinha peso 2, o que significava dobrar a pontuação em relação a provas menores e algo que não podia ser desprezado, ainda mais que se notou o potencial da equipe para vencer o campeonato.
Com isso em mente, tentou-se introduzir algumas melhorias no Troller. “Fomos para a oficina do Manolo Plaza (campeão de rali) e ele falou: ‘eu arrumo esse freio para vocês’”, conta Alberto Fadigatti. A tentativa de fazer o veículo parar melhor foi por água abaixo. “No dia seguinte o Manolo disse: ‘esse não é um carro de corrida, mas de aventura’”, prossegue o navegador.

A opção por ficar na Europa foi recompensada com a vitória na categoria, na única etapa que foi disputada em 14 de julho. Os 800 quilômetros, com largada em Zaragoza, seriam percorridos em 13 horas e 53 minutos. A exemplo de Portugal, muita poeira foi comida (e levantada) nas estradas de terra. Com isso, a dupla ia para 88 pontos, favorecida ainda mais pelo fato de a dupla formada pelo belga Gerard Marcy e o francês Jean Paul Cottret não ter conseguido pontuar, ficando com 48 pontos, quadro que se repetiu com os terceiros colocados, os belgas Joost Van Cawenberge e Marc Devos, que se mantiveram nos 36.
A preocupação agora ia para o Master Rallye, a ser realizado entre os dias 1º e 11 de agosto. Com largada na França, seriam 8 mil quilômetros a serem percorridos por Itália, Grécia, Turquia, Síria e Jordânia, só não sendo mais difícil que o Paris-Dakar. Devido às dificuldades, essa seria uma prova de peso 3, o que significaria à equipe Dana/Troller a possibilidade de abrir ainda mais vantagem no Mundial.
…continua no próximo capítulo
Por André Fiori
Fotos: divulgação / cortesia de Walther Neto








Legal saber da história detalhadamente, pois na época que o Troller faturou o mundial nada se comentou sobre as dificuldades encontradas. A única coisa que foi mencionada era a velocidade final do Troller, que era bem abaixo da velocidade dos concorrentes.
Boaa, aguardando pelo proximo capitulo!
Uma das melhores series do Jalop, com certeza.
Esperando pela próxima parte. Essa série é uma das melhores que já apareceram por aqui.
Até hoje eu queria saber o que ocorreu nos bastidores desta prova que fez tanta moral pros Trollers.
Os carros e pilotos que participam de provas como essa já são muito guerreiros, imagina então com esse monte de problema, preocupação e risco, o cara ter a técnica apurada o bastante pra ganhar o Rally, é mesmo de se tirar o chapéu pra caras e carros como estes.
Aguardando anciosamente pelo "episodio" final desta grande historia !
Animal a sequência!!
Quem precisa ir pra cinema quando pode aconpanhar uma história verídica e com heróis Brazucas como principais aqui no jalopnik.
Uma das melhores series do Jalop, com certeza. ²
Gente boa…
Eu quero vídeos e um tributo a esses caras. Merecedores de um bom vídeo D:
Não tem nenhum arquivo em vídeo? Porque se tivesse, seria uma boa fazer uma pequena homenagem a esses caras. Bolas de ferro num carro feito de fibra. EU QUERO IBAGENS!
Ótima série. Estou acompanhando certamente!
Ai mostrarão que erão realmente bons pois o troler era um trator perto dos outros carros .
Ótima série do AF