Nem todo mundo sabe, mas, na verdade, o que ocasionou a morte do piloto Ayrton Senna não foi a quebra da coluna de direção de sua Williams FW16, mas sim da árvore. “Que árvore???” – podem logo perguntar.
Ora, a árvore de direção, elemento de máquina que leva movimento do volante de direção à caixa (de direção). Mas existem outras. Tão ou mais importantes para o funcionamento do carro.
Em termos mecânicos, árvores são componentes mecânicos que trasmitem movimento. Não devem ser confundidos com eixo, erro corriqueiro. Este último é um componente em torno do qual algo roda. Existem 14 diferentes tipos de árvores na mecânica automotiva (ainda que não exista o mesmo número delas em funcionamento num mesmo automóvel).
Começando pela árvore-piloto, este é o elemento mecânico de entrada da caixa de câmbio. De suma importância para o funcionamento do veículo , seu movimento afeta a função da maioria das outras árvores do automóvel: Ela recebe movimento do motor por meio do disco de embreagem, uma vez que o sistema esteja acoplado – para isso, o pedal da esquerda tem de estar liberado.
Outra árvore muito relevante para o funcionamento do câmbio é a primária, que, nas caixas de transmissão manual funcionam em conjunto com a árvore secundária compondo o conjunto denominado transeixo manual. Este recebe movimento por meio da árvore-piloto. As engrenagens nela talhadas – ou encaixadas – impulsionam seus pares na árvore secundária. A função desta última é complementar à da árvore primária – formar o transeixo manual. Numa de suas extremidades, encontra-se o pinhão do conjunto de redução final.
Outra árvore que auxilia as operações da caixa de câmbio – do tipo separado do eixo motriz – é a árvore principal. Ela recebe movimento do motor pela árvore-piloto e por um par de entrada solidário com a contra-árvore, cuja função é fornecer movimento (para a principal) através dos pares de engrenagens e enviá-los para a árvore de saída. Assim, todas as marchas, exceto a de tomada direta, resultam da atuação de engrenagens, a saber: o par de entrada e o da marcha propriamente dita.
Nos câmbios que possuem marcha de tomada direta (como os GM automáticos Vectra, Astra e Zafira), a pequena árvore que recebe movimento da árvore primária e passa-a para a árvore de transmissão recebe o nome de árvore de saída. Já a árvore de transmissão é um componente oco em sentido longitudinal responsável pelo torque; ela leva a força do motor ao eixo motriz traseiro, ou ao traseiro e o dianteiro (nos sistemas de tração 4×4, como os utilizados pelos Land Rover Defender). A árvore de transmissão pode ser inteiriça ou bipartida, com mancal central. É também conhecida pelo jargão “cardã” (ou “eixo cardã”).
No interior do motor, há outras árvores de funções igualmente essenciais ao funcionamento do carro, tais como as citadas acima. A árvore contra-rotativa, por exemplo, é dotada de contrapesos e é engrenada para girar ao contrário da árvore de manivelas, dessa forma anulando as forças da inércia interna, que existem em todo e qualquer motor. Em geral, esse tipo de árvore está associado a motores de quatro cilindros em linha com mais de 500 cm³ por cilindro, pois nesses as forças de inércia são maiores. Um exemplo é o motor Vortec V6 4.3 l da Chevrolet Blazer, com árvore única instalada no meio do “V” (cuja abertura é de 90°). Porém, até motores menores – de apenas um cilindro, por exemplo – beneficiam-se da árvore contra-rotativa, caso da moto Honda CG 150 Titan.
Movimento contrário a essa faz a árvore de manivelas, talvez a mais importante de todas: mais conhecida pelo nome francês aportuguesado “virabrequim”, trata-se de um conjunto de manivelas às quais as bielas – com os pistões – são conectadas, de maneira a transformar o movimento retilíneo deles em circular. A força de expansão dos gases nos cilindros do motor movimenta os pistões, e estes movimentam a árvore de manivelas, que envia a força motriz para a transmissão e, daí, para as rodas motrizes. Pode ser fabricada tanto em ferro fundido quanto em aço forjado.
Outras que atuam no motor são as árvores do comando de válvulas; que pode ser no bloco, no cabeçote, ou variável. Chamada coloquialmente de “comando”, a árvore do comando de válvulas é composta de ressaltos destinados a abrir as válvulas do motor e permitir que se fechem sob ação da mola mecânica, ou, no caso dos motores atuais de Fórmula 1, mola pneumática. É acionada por engrenagem, corrente ou correia dentada. A árvore do comando de válvulas no bloco faz com que o movimento dos ressaltos chegue às válvulas no cabeçote por meio de varetas e balancins. Quando a árvore do comando de válvulas fica no cabeçote, simplifica-se o acionamento das válvulas, pois não há necessidade de varetas. Com isso o motor pode ser projetado para maior rotação, o que resulta em maior potência específica.
O último tipo de árvore do comando de válvulas é o chamado “variável”: quando um carro é dotado desse tipo de árvore, o motor tem de ser construído de jeito que a posição da árvore de comando das válvulas em relação ao virabrequim (árvore de manivelas) não é fixa, e sim variável. Isso favorece o enchimento dos cilindros numa faixa de rotação mais ampla, e, com isso, torna-o mais potente tanto em baixa quanto em alta rotação.
Até há pouco tempo só era visto em motores de duplo comando de válvulas no cabeçote (DOHC), mas, em 2007, o superesportivo da Dodge, o Viper, com seu motor V10 de árvore de comando no bloco (portanto única), passou a vir com variação no escapamento por meio de sistema árvore-dentro-de-árvore. O mecanismo de variação da posição da árvore de comando de válvulas encontra-se na própria polia de acionamento, é hidráulico e utiliza o próprio óleo lubrificante do motor.
Se o provérbio originalmente dizia “pelo fruto, conhecemos a árvore”, quando se trata de mecânica automotiva, algumas árvores são particulares e ocorrem somente em alguns modelos. Assim, pelo menos em mecânica, pode-se dizer que “pela árvore, conhecemos o fruto” (ou o carro).
Fontes: “Dicionário Ilustrado do Carro” (2007) – por Bob Sharp e “Auto Fundamentals” (2005) – por Martin Stockel e Chris Johanson










quem disse que carros com motores a combustão não são ecológicos? tanta árvore e os ecochatos ainda querem procurar alternativa?
<img src=http://wheredreamscollide.files.wordpress.com/2012/03/ba-dum-tss.jpg>
heheh well played…
A comunicação pressupõe que os interlocutores entendam o que está sendo falado. Esse negocio de arvore é coisa dos antigos…
Desde quando CG tem arvore de contra balanceamento??? Até onde eu sei é o motor da Yamaha que tem, o motor 125cc da YBR e XTZ. Ponto esse que é motivo de tiração de onda pelos Yamaheiros em cima dos Hondeiros(alem da dureza do banco+suspa traseira).
agora foda foi um tretor cbt do meu primo que vivia derrubando arvores ate que , a árvore de manivelas, saiu do rumo não sei como e o pistão foi parar do lado de fora do bloco do motor .
Árvores, árvores, árvores…Por isso meu carro dá tanto pau!!
<img src="http://audienciadatv.files.wordpress.com/2009/02/apracaenossacarlosalberto2.jpg">
(não pude resistir…rs)
<img src="http://arch.413chan.net/ba-dum-tssh-(n1315693888290).jpg">
Só deixo isso aqui http://youtu.be/wUKVT0HLqOs
Eu li uma vez que as arvores contra-rotativas foram criadas pela Mitsubishi, talvez fosse legal mencionar.
E achei estranho dizer que existem comandos no bloco, no cabeçote e variavel, talvez ficasse melhor escrever que existe comando no bloco ou no cabeçote, podendo ser variável ou não. E podiam ter mencionado também o acionamento direto ou indireto das valvulas quando o comando é no cabeçote.
Ah, gostei do texto, são só sugestões.
Dá até pena ver esta Zafira e saber que ela foi substituída por uma lata de sardinha amassada chamada Spin…
Boa matéria,segundo resumo de um professor: Se gira,é árvore.
Arrebentou a arvore de manivelas e o cárter. Só pode, não vejo outra maneira menos louca pra isso acontecer.
Ótima matéria, parabéns.
Ah….a engenharia mecânica…
já sei que vou criar polêmica, mas o acidente do Senna não teve nada a ver com direção do veiculo.
Não, teve com o sistema de direção.
Tá certo isso, Arnaldo?
não, o problema foi na parte traseira do veiculo, durante as investigações, a telemetria mostrou pressão no volante (ou seja o sistema de direção funcionando) ou seja ele tentando guiar o veiculo.
e pode assistir ao vídeo onboard do carro do Shumacher, existe uma pequena saída de traseira do carro do Senna, e tentativa de correção.
Não faz sentido, ele pode ter virado o volante, mas com o sistema quebrado o carro não respondeu, por isso a telemetria mostrou pressão no volante… outro fato é que o carro foi reto, sem nenhuma mudança na trajetória até acertar a parede =P
Um documentário da National Geographic sobre o acidente do Senna mostrou que realmente não foi a coluna de direção… Por mais ridículo que possa parecer, a batida se deu por causa de um Pneu furado, com a altura mais baixa do que o normal o carro foi raspando os suportes no chão (não possibilitando o carro virar) em uma das curvas mais rápidas da temporada.
O computador de bordo da Willians F16, registrou no momento da batida uma força de torção de 7.18N/m2, ou seja, se realmente a coluna tivesse quebrada, este valor seria 0. A barra quebrou na batida,.. Perdemos um Herói.
Na verdade não foi pneu furado, era pressão muito baixa devido as voltas iniciais com safety car.
Mas essa telemetria da Williams é bem duvidosa também. Há relatos da época que dizem que o carro foi para a perícia sem ter a central dele, sendo que depois ela foi entregue toda estourada.
Obrigado pela correção amigo!
Tentei editar a MSG mas já havia replies… Tentamos buscar uma resposta "lógica e científica" perante a "revolta" de se pensar que uma simples solda matou Senna
São parecidos, então é fácil confundir mesmo.
E essa explicação é lógica e científica, mas a perícia italiana disse que foi a solda mesmo, inclusive com algumas fotos onde, segundo a tal perícia, é possível ver sinais de fadiga e o local e tipo de quebra que teriam ocorrido.
E aqui tem um vídeo com a telemetria, pena que os outros que tinham no YouTube não encontrei: http://www.youtube.com/watch?v=9NoKVrxw14Y
Lendo e aprendendo!
Alguém aí fez piada sobre 'as árveres somos nozes'?
Enfim, a matéria é MUITO boa, parabéns Jalop.
a maioria ali conhecia como eixo mesmo, eixo piloto, primario e etc.. a unica que ouvia chamando de arvore eram os comandos e o vira…
[]s
Em material gringo era imput-end e output-end e não árvore…
…magoei…
Fiz até gráfico com denominação errada em um blog…
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Obrigado Google Translator!!!!!!!!!
Mas o que arrebentou no carro do Senna foi a coluna sim, que foi remendada pra afastar o volante da carenagem.
Ver esse Viper azul marinho arrepia
É quase uma floresta!!!