Com ele, Roland Ratzenberger, Dale Earnhardt e muitos outros pilotos ainda estariam conosco. Feio, desconfortável e inconveniente, o HANS é um dos maiores avanços de segurança da história do automobilismo – e ao mesmo tempo, é ridiculamente simples. De onde veio, como é e como funciona o HANS, o suporte para cabeça e pescoço?
Não, o recurso não nasceu em 2003 na Fórmula 1. O HANS surgiu cerca de vinte anos antes disso, no começo da década de 1980. Foi desenvolvido por Dr. Robert Hubbard, especialista em engenharia biomecânica da Universidade de Michigan (EUA), motivado pela morte de seu amigo Patrick Jacquemart no circuito de Mid Ohio, com um Renault 5 Turbo da IMSA, em 1981. A batida em si não foi tão grave: Jacquemart perdeu o controle do carro e bateu em um banco de terra. Mas foi o suficiente para causar uma fratura cervical fatal, com quebra dos ossos na base do crânio e consequente dano cerebral.
É a mesma causa que vitimou o piloto de F1 Roland Ratzenberger no GP de Ímola de 1994 (acima) e de Dale Eanhardt nas 500 milhas de Daytona de 2001 (abaixo). Similar ao acidente de Jacquemart, o acidente da Nascar foi corriqueiro, quase estúpido, para quem viu de fora. Após a sua morte, o uso do recurso passou a ser obrigatório na categoria – lembrando que HANS é uma marca e que existem outros produtos similares, como o Safety Solutions Hybrid Pro Rage e o sistema Hutchens. Seguindo os stock cars, a Indy obrigou o seu uso em circuitos ovais – e pouco tempo depois, para todos tipos de circuito. A Fórmula 1 adotou o HANS a partir de 2003 – e você, que sempre criticou a segurança do automobilismo nos EUA…
Mas como que funciona? Deixamos a explicação com Tom Coronel, piloto da FIA GT famoso por ter quebrado o recorde de carros de rua produzidos em série em Nürburgring Nordschleife para a Dodge, pilotando o Viper ACR de fábrica. Segue tradução de sua fala no vídeo abaixo: “este é o sistema HANS. Você coloca ele em volta (por trás) do pescoço. Os cintos de segurança passam por cima dele. Você prende o capacete (sim, isso significa que o capacete precisa ser compatível com o sistema) nas duas alças que saem da nuca, de forma que a força do impacto não vai se concentrar no seu pescoço e será dissipada entre os seus ombros e os próprios cintos”.
O vídeo mostra também a evolução nos compostos, formatos e tamanhos do HANS para deixá-lo mais confortável e eficaz, bem como alguns dos testes que são feitos nos capacetes e macacões.
Sempre que falamos no HANS, fica difícil não nos lembrarmos da batida terrível de Mika Hakkinen no GP da Austrália de 1995 (abaixo), quando um dos pneus traseiros estourou na curva Brewery, a 192 km/h. A força do impacto lateral de 150 g foi tão grande que ele chegou a atingir a cabeça no volante. Milagrosamente, ele não faleceu. Após 15 minutos de atendimento emergencial no local do acidente – que incluiu traqueotomia, a abertura de um canal na traquéia para respiração induzida – ele foi levado o hospital Royal Adelaide.
Mais tarde, o relatório reportou um diagnóstico tranquilizante, ainda mais quando consideramos o que poderia ter ocorrido: seu quadro era estável, ainda que houvesse uma fratura na base do crânio (o ferimento que vitimou Jacquemart, Ratzenberger e Earnhardt) que causou hemorragia interna. Um dos braços da suspensão dianteira esquerda perfurou o cockpit por inteiro a alguns milímetros dos joelhos de Mika. Enfim, não era a hora dele.
Os dados de eficácia do HANS são nada menos que impressionantes. Acompanhe os dados do infográfico abaixo, de autoria da Car and Driver.
Sem o HANS, um conjunto de cabeça + capacete com 6,8 quilos sofre uma força de desaceleração equivalente a 107 g durante um impacto frontal de 40 g. Com o sistema, a carga no pescoço diminui em 72% no vetor A e em 81% no vetor B – prevenindo o efeito chicote que vemos no vídeo abaixo. Graças a isso, a desaceleração total cai em quase 50%, para 62 g.
Note que outra consequência positiva do uso do HANS é a redução de impactos secundários da cabeça em elementos do próprio carro: volante, gaiola e colunas do monobloco.
É uma questão de tempo para o sistema ser adotado em todas as categorias do mundo. Infelizmente, ela é vista como exagero por praticantes do automobilismo amador ou profissional de entrada – justamente onde há a maior tendência a acidentes com gravidade, devido a simplicidade maior dos carros, ausência de estudo de impactos e menor experiência dos pilotos. O acidente abaixo poderia ter acontecido em qualquer tipo de prova de Turismo no Brasil. A porrada foi simplesmente monstruosa, mas veja como o capacete se move pouco – as forças foram dissipadas e distribuídas em seus ombros. Pense a respeito.





Salvando ou não, isso é pra lá de estranho, eu coloquei e me senti sufocado, além disso ainda tem o capacete e talz. Claro, se eu ganhasse o que um piloto profissional ganha, isso nem faria tanta diferença assim hehe
faz uma puta diferença !!
Incrivel como demora 20 anos para adotarem algo tão simples e, aparentemente, de baixo custo.
O HANS salvou a vida do Kubica. Se tivesse isso em '94… http://www.youtube.com/watch?v=AtrzvwayniM&fe…
Se o Senna tivesse usado a cabeça ele ainda estaria vivo. Todo mundo pediu o cancelamento da prova e ele insistiu em correr, viu o que tinha ocorrido no dia anterior mas se achava macho o suficiente para escapar daquilo mesmo com um carro intragável. Deu no que deu…
vc tem bola de cristal?
Senna também não tinha e corajoso e disposto a desafios como sempre, ele decidiu arriscar.
Tanto que não deve ter sido só ele a querer arriscar, porque antes ele se reuniu com vários pilotos pra decidir sobre a segurança da prova. Se o único a querer fosse só ele, acho que não aconteceria a prova e concordo com o Alfa, vai bem além de só usar a cabeça.
Bom, não entremos nessa discussão porque isso rende muito :X
<img src=http://i50.tinypic.com/1zc20z9.jpg>
E precisa? No dia anterior um piloto morreu NA MESMA PORCARIA DE CURVA e do MESMO jeito que o Senna. Pelo seu raciocínio então não deveriam ter modificado a curva e a corrida fica livre apenas para quem tem coragem e está disposto a aceitar desafios? Por favor né… Uma coisa é coragem, outra é burrice, Senna acabou caindo na 2ª [acredite, a linha é bem tênue], agora se você quer bancar a viúva e defender só porque ele era O cara, aí meu irmãozin, eu paro por aqui.
O Senna morreu porque teve o cranio perfurado por um braço de suspensão, não porque teve fratura na coluna. O capacete dele teria que ser a prova de tiros de morteiro para que ele tivesse sobrevivido, porque o maldito braço de suspensão entrou como uma espada em uma melancia. Procurem as fotos do capacete dele após o acidente e verão o rasgo.
E qto custa um conjunto de capacete + hans?
Custa menos que remendar as vértebras!
Faz as contas:
Tem modelos diferentes de Hans, e muitos de capacete, escolhe e soma. http://racerxshop.com/categories/capacetes-%252d-… http://racerxshop.com/categories/hans-%252d-prote…
Obs: paguei pau nesse de rallye, dá vontade de comprar pra usar pra viajar e conversar com a patroa sem virar o rosto ^_^ http://racerxshop.com/products/capacete-pro-rally…
Acho que deve ser um investimento feito seja qual for a categoria, mesmo que seja um pouco desconfortável, pois estamos falando de vidas que são salvas com isso. Se eu pilotasse (claro que assim eu teria dinheiro) eu faria o investimento sem pensar duas vezes.
Só eu achei que no ultimo acidente dava pra ter desviado???
Repara que ele freiou com tudo, e a roda travou , ai não tem jeito …. Mas se ele tivesse freiado bombando eu acho que daria pra puxar pro lado…
nao to dizendo que eu conseguiria desviar , na hora é td muito rapido… mas acho que dava
Eu também fiquei com essa impressão, ele teve uma distância relativamente grande para desviar.
De repente ele estava com a visão focada em outro ponto e quando viu já estava muito em cima e pisou no freio sem dó.
Esse alemão – o HANS, realmente, salva vidas
baita diferença, deveria ser adotado em todas as categorias mesmo.
como se chama aquele ganchinho de metal que servia p/ conectar atrás dos capacetes de F1? ainda são utilizados?
Engraçado que -posso não ter percebido nas entrelinhas- mas outro ponto importante além do efeito chicote é o fato de que indo pra frente com quase 7 quilos, a cabeça do piloto é meio que esticada, digo, o pescoço em si é puxado e pode haver outras coisas além do deslocamento e hemorragia, pode acontecer de ele perder movimentos justamente pela cabeça separar da coluna ou coisa parecida D:
o melhor é ter e não precisar do seu uso!
é desconfortável, o cara não consegue olhar pra baixo quando está atado no cinto, é uma bosta de colocar, faz um pouco mais de peso e etc….
mas também é questão de costume, no inicio ele incomoda, mas depois de algumas voltas voce já se adapta a ele e fica tudo certo, só a limitação da visão para baixo que complica, principalmente se o carro tiver botoes mais baixos, mas ai é questão de adaptação.
é caro? sim, no brasil muito mais, mas como falaram ai em cima, é mais barato que remendar vértebra e ficar em cima de uma cadeira de rodas pro resto da vida
Lembrei disso: http://www.youtube.com/watch?v=q606rap0aN4
Deve ter sido a noite mal dormida, só pode.
tirando o hans, o teste de capacete é fundamental. e tem gente que acha que estes "capacetes" de 50 reais protege alguma coisa.
Vale citar uma frase do personagen de caçada ao Outubro Vermelho- o capitao Bart do USS Dallas- "O dificil em bancar o esperto , é saber a hora de recuar", não se aposta vidas por uma corrida de F1
Se é para permanecer inteiro, vale até ser chamado de o arregao , use tudo o que for necessario para garantir sua integridade, se voce se der mal, ninguem vai ficar no seu lugar
O acidente do Hakkinen em Adelaide me lembrou o do Rubinho em Ímola, na sexta daquele GP. Na hora que a Jordam bate de bico no chão a cabeça dele vai com tudo em direção ao volante, parecia um boneco de pano. Não sei qual foi a aceleração ali, mas deve ter sido bastante coisa.