Um improvável (mas merecido) final feliz para a Indy em São Paulo

Sinceramente, três meses atrás, considerei absurda a ideia de uma corrida de Fórmula Indy em plena marginal Tietê, organizada em tão pouco tempo a partir do zero. Hora de dar o braço a torcer e admitir: a SP 300 foi um barato.

Com exceção do problema de aderência na reta do Sambódromo (que poderia sim ter sido previsto com certa antecedência, mas que acabou  solucionado graças ao trabalho duro de equipes que retiraram 40 caminhões de concreto raspado durante a madrugada), tudo funcionou perfeitamente no circuito de rua do Anhembi. A organização dos serviços e empresas patrocinadoras foi boa, a pista ofereceu vários pontos de ultrapassagens, a torcida compareceu em massa e vibrou muito com o barulho ensurdecedor e as passagens em alta velocidade dos carros da Indy.

Circulei por todas as arquibancadas ao longo do final de semana. Em todos os lugares a empolgação e o arrepio eram inquestionáveis, e essa energia nenhuma transmissão de TV é capaz de expressar.  O próprio Sambódromo, a despeito da superfície inadequada, revelou-se um cenário bem bacana, com uma linha de arquibancadas que parecia ter sido feita para isso – e uma chicane, o S do Samba, com o melhor nome de trecho de circuito em todos os tempos.

Claro que há coisas fora do padrão, como as ondulações assustadoras em alguns trechos – em certo momento, na reta da avenida Olavo Fontoura, Ryan Hunter-Reay quase levantou vôo ao tirar de lado para ultrapassar Simona de Silvestro. Uma espécie de questão político-ideológica também incomoda: a prefeitura de São Paulo gastou pelo menos R$ 20 milhões de reais em um evento esportivo isolado durante um período em que a cidade praticamente naufragava, vítima da falta de infraestrutura para lidar com chuvas tão intensas.

Por sorte, a tempestade que ameaçou cair nesse domingo aqui no Anhembi foi curta e refrescante. O público que aguentou o sol escaldante numa boa foi premiado com uma corrida emocionante, cheia de ultrapassagens, com chuva e sol alternando-se em questão de minutos, gerando muitas possibilidades. O terceiro lugar do brasileiro Vitor Meira foi comemorado como se, por breves instantes, o piloto fosse um herói nacional. Sim, é piegas, mas quem estava lá não pôde deixar de sorrir e aplaudir.    

Legal também perceber a amizade entre os brasileiros no grid. Todos se cumprimentam, conversam, riem e fazem brincadeiras entre si o tempo inteiro, como fazem os colegas de firma por aí. Como nós, enfim. Na coletiva final, Bia Figueiredo se desculpava por vir direto da corrida, suja, suada e descabelada, quando Helio Castroneves e Tony Kanaan entraram no recinto de banho tomado.

Bia -  Pô, o Helinho já tá com gel no cabelo…
(risos generalizados)
Helio – Bia, um dia ainda vou conseguir um patrocínio só de gel!

Na sequência, o chefe de equipe Gil de Ferran dizia que o final de semana havia sido cansativo, de trabalho duro, e que agora iria aproveita para descansar, quando foi imediatamente interrompido por Tony: “descansar do que? Tu não fez nada, nem dirigiu!”. 

E assim a Fórmula Indy despede-se do Anhembi satisfeita com o resultado, e orgulhosa de todo o ambiente automobilístico criado ao longo do final de semana. Além de tudo, que outra corrida seria capaz de produzir o tipo de frase tão familiar proferida por Mario Romancini após a corrida?

“Na entrada da marginal, peguei uma poça, perdi o controle e quase bati”

Só em São Paulo mesmo.

Resultado final – São Paulo Indy 300

1°. Will Power (AUS/Penske), 2h00min58s ( 61 voltas)
2°. Ryan Hunter-Reay (EUA/Andretti), a 1s8581
3°. Vitor Meira (BRA/A.J.Foyt), a 9s7094
4°. Raphael Matos (BRA/De Ferran Luczo Fragon), a 10s4235
5°. Dan Wheldon (ING/Panther), a 10s8883
6°. Scott Dixon (NZL/Chip Ganassi), a 11s3473
7°. Dario Franchitti (ESC/Chip Ganassi), a 12s0579
8°. Mike Conway (ING/Dreyer & Reinbold), a 12s1654
9°. Helio Castro Neves (BRA/Penske), a 12s7411
10°. Tony Kanaan (BRA/Andretti), a 13s4850
11°. Justin Wilson (ING/Dreyer & Reinbold), a 13s9193
12°. Ernesto Viso (VEN/KV), a 16s9039
13°. Bia Figueiredo (BRA/Dreyer & Reinbold), a 19s6451
14°. Ryan Briscoe (AUS/Penske), a 1min14s9191
15°. Danica Patrick (EUA/Andretti), a 1 volta
16°. Simona de Silvestro (SUI/HVM), a 3 voltas
17°. Mário Romancini (BRA/Conquest), a 15 voltas
18°. Alez Lloyd (ING/Dale Coyne) a 31 voltas
19°. Alex Tagliani (CAN/Fazzt), a 33 voltas
20°. Hideki Mutoh (JAP/Newman-Haas-Lanigan), a 34 voltas
21°. Milka Duno (VEN/Dale Coyne), a 41 voltas
22°. Takuma Sato (JAP/KV), a 61 voltas
23°. Marco Andretti (EUA/Andretti), a 61 voltas
24°. Mario Moraes (BRA/KV), a 61 voltas

Crédito das fotos: divulgação IndyCar

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5 Responses to “Um improvável (mas merecido) final feliz para a Indy em São Paulo

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