20 de Maio de 2013

O verdadeiro Aston Martin de James Bond

Por - Graverobber - 04 mai, 2012 - 15:47

30 Comentários




Quando se fala nos Aston Martin de James Bond, é o DB5 que logo vem à mente. Acontece que quando Ian Fleming escreveu Goldfinger, o carro era um DB Mark III, como este da foto acima. Os motivos ficam claros quando descobrimos mais sobre este desconhecido e raro Aston.

Quando um fabricante inspira parte de seu nome em um evento de subida de montanha, pode ter certeza de que suas intenções são das mais nobres. É o caso da Aston Martin, cujo nome é composto pelo sobrenome de Lionel Martin, co-fundador da empresa jundo com Robert Bamford, e o primeiro nome da Aston Clinton Hill Climb, organizada em Buckinghamshire. Os primeiros Aston eram esportivos arrojados, com nomes sugestivos como Ulster, Le Mans e International. Contudo, como sempre acontece com a indústria artesanal britânica, a Aston Martin logo enfrentou uma fase difícil, e em seguida estourou a Segunda Guerra Mundial.



Felizmente logo apareceu um salvador. A David Brown Limited comprou a Aston Martin quase na mesma época em que adquiriu outra marca britânica, a Lagonda. Foi nesse período – que começou em 1947 e foi até o início da década de 1970 – que a marca construiu a reputação que os produtos atuais tentam manter em voga.

Um dos trunfos da fábrica foi o DB Mark III. DB vem de David Brown, e III, para três, que foi a fase final do modelo DB2. Este cupê 1958 é um dos únicos 459 carros construídos durante a trajetória do modelo, entre 1957 e 1959. Ele é baseado naquele que se tornaria o último dos projetos de chassi de Claude Hill, equipado com molas helicoidais em cada roda, braços arrastados na dianteira e eixo oscilante na traseira. Discos Girling de 12 polegadas eram montados atrás das rodas de seis raios dianteiras, enquanto as traseiras abrigavam os tambores Alfin.



O motor é um DBA, o seis-em-linha de 166 cv e 2.922 cm³, com comando duplo no cabeçote desenvolvido por ninguém menos que W.O. Bentley para a Lagonda. Neste exemplar das fotos ele é alimentado por um par dos tradicionais carburadores Skinners Union (SU), que foram restaurados, segundo o vendedor do carro.

Atrás do motor há uma caixa David Brown manual de quatro marchas, e de acordo com o folheto incluído no anúncio deste carro, ele não parece ter o desejado overdrive Laycock-de Normanville opcional. O que ele tem é o volante na direita, que requer algum tempo de adaptação para ser usado aqui na América. Outra coisa com a qual é preciso se acostumar são os bancos concha de couro, que apesar de estar em boa forma, parece ter a textura de uma língua no Saara. A menos que você seja sádico, não é esta a sensação que você espera sentir em um grã-turismo clássico.



Por fora ele também está desgastado, e sua grade se perdeu em algum momento da história. A carroceria Tickford (outra empresa órfã comprada por David Brown) continua muito atraente, e nem mesmo a adaptação de lanternas do Hillman Hunter é capaz de macular sua beleza. Ela é toda feita em alumínio, portanto não é preciso se preocupar com ferrugem. O vendedor diz que a cor original é cinza cardeal (cardinal grey), o que pode ser comprovado através da gasta camada do verde de corridas (british racing green) que ele hoje ostenta.

Com menos de 47.000 milhas em seu belo velocímetro Smiths, este carro tem potencial em dois segmentos opostos: é uma boa base para uma restauração completa, ou simplesmente pode ser preservado como está e tentar alguns troféus nas categorias Preservation Class, dos concursos de elegância ao redor do mundo.



Caso seja restaurado, o novo dono pode incluir no custo final do projeto os 135.000 dólares (260.000 reais, aprox.) pedidos pelo vendedor. Considerando que é um dos raros modelos que marca o começo da mais brilhante era da Aston Martin – e o modelo escolhido pelo próprio Ian Fleming para seu agente secreto – talvez uma restauração milionária seja realmente o melhor caminho para esta bela máquina inglesa.


30 respostas para “O verdadeiro Aston Martin de James Bond”

  1. Bernardo Faria disse:

    Nada que um WD não resolva.

  2. Hos_Delgado disse:

    Faz no estilo rat e aproveita a ferrugem. Brincadeira eoehoehue

    Mas, que carro icônico e bonito…merecedor de uma bela restauração mesmo.

  3. @EngMFerreira disse:

    se eu fosse rico, o pessoal destes posts do jalopnik já teriam me deixado pobre já tem tempo

  4. Sinatra disse:

    Pessoal do Jalop, não quero ser chato mas posso perguntar mais uma vez? Quando (e se) teremos nossa versão do "Nice Price or Crack Pipe"?
    Este exemplar veio desta "coluna" do Jalop US.
    Por aqui (ainda mais com as polêmicas acerca de preço dos automóveis nacionais), um sistema igual com mecanismo de voto faria um bom sucesso, na minha opinião.
    Mercado Livre, OLX e congêneres estão aí para não deixar faltar material.
    Fica a dica.

  5. ALFA_MOBILI disse:

    aston martin = feel like a sir

  6. Paulo_Mopar disse:

    Tem que deixar assim mesmo,ai fica show

  7. MathewBMW disse:

    Surgiram boatos de que o Daniel Craig iria dirigir um Bentley (provavelmente o novo Continental GT) em Skyfall no final do ano. Nos livros de Ian Fleming isso já ocorreu. No caso era um Bentley 4½ Litre "Blower" de 1930. Aliás, em From Russia with Love (1963) o Connery usou um 3½ Litre Drophead Coupé para certos prazeres carnais com uma peguete. Recomendo um documentário sobre os carros dele e com os proprietários britânicos de coleções em que eles estão presentes. Encontrei-o disponível no TheBox.bz em fevereiro deste ano. Para quem é fã dos filmes e livros 007, e petrolhead ao mesmo tempo, é um prato cheio.

    • Nine Eleven disse:

      Eu tenho um palpite:
      <img src=http://theworldisfuckinglost.files.wordpress.com/2009/12/aston-martin-cygnet-1.jpg>

      Hahaha brincadeira, mas acho que será aquele One-77.

  8. EdTech14 disse:

    Eu restauraria e dava uma preparada no motor, 166 cv me parece pouco ..

  9. Alfa_Lover disse:

    preciso de carros assim no GT5. É o mais perto que chegarei deles.

  10. Sky R32 disse:

    Curti esse DB3, merece uma boa restauração!

    Só não entendi essa história de "tentar alguns troféus nas categorias Preservation Class" nesse estado

    • Sinatra disse:

      Preservation class é justamente uma categoria para automóveis que jamais foram restaurados.

      "A Preservation class é um dos aspectos mais interessantes do Concours d'Elegance em Pebble Beach. Ela pretende valorizar aqueles poucos automóveis que jamais foram restaurados e a idéia é mantê-los deste modo. Para muitos colecionadores, estas relíquias do tempo são muito especiais e geralmente são mais valorizadas do que um carro equivalente restaurado. Como diz o ditado, 'Um carro pode ser restaurado inúmeras vezes mas é original somente uma única vez'.
      Algumas pessoas podem se desinteressar diante da crudez de um automóvel preservado, mas para seus proprietários, é evidência de originalidade."
      http://web-cars.com/pbeach/classics-8.php

      <img src="http://www.classicdriver.com/upload/images/_uk/14725/img04.jpg"&gt;

      • Sky R32 disse:

        nossa, nunca tinha visto esse tipo de categoria, não curti mas valeu a explicação

        e acho que esse DB3 não iria se dar muito bem pois a pintura original é prata

      • Crazy_finnish L6 4.1 disse:

        Uma boa idéia para um post no Jalop, Preservation Class.

      • matheus299 disse:

        A idéia é legal, mas …Não podem nem lavar o carro e dar uma polida na pintura e cromados?
        Isso não descaraterizaria a originalidade do carro, apenas demonstraria cuidado, além de resaltar a beleza da jóia.
        Do contrário, tenho a impressão de que sejam tipos de carros que foram a lua, com restos de meteoritos que não podem ser lavados, pois fazem parte da história e pesquisa. haha

  11. Diego disse:

    Tem um desses (1957 – MK II) à venda na Auto Salon GmbH por 165 mil euros. Volante na esquerda.

  12. D7V5 disse:

    Em verde-escuro dos carros esporte ingleses.
    Bem típico.

Deixe uma resposta